Retrato.

Posted by Tk On segunda-feira, 30 de janeiro de 2012 2 comentários



Aqui, parado. Do outro lado. Tendo seus olhos escuros como aval de que são passageiros, atravessados no meu senso egoísta comum. Só há de dizer que nunca soubera, por que nunca se deu conta do meu olhar focado espelhando, esperançado em um ínfimo sentimento teu posto aos meus -tantos e sem procedência-, convergindo ao final no teu sorriso discreto. Do timbre da tua voz me fez incerteza, de que algo aqui dentro encontraria paz. Mas não se preocupe não, que não há de saber, eu juro. 

Do mesmo lado, embora por hora, jamais podorei te tocar, tão quanto possa grafar amor entre as linhas, que de tão distantes, mal encontram as próximas letras da frase para me levar ao costumeiro sentido amargo... Mas não se preocupe não, que não há de saber, eu minto. Sinto um tanto que seja impossível, sabe? Porém, sufoco-me aos poucos no teu sotaque enevoado ao momento que sei que me dirás que não há de ser. Conformo-me em não querer amor, por febre te imploro que nunca vá embora e leve contigo o afago dos sonhos estrelados que me trouxera... Do outro lado, depois de outro último aceno que não quer dizer nada.

Matheus Souza

2 comentários:

Moniky. disse...

"...sufoco-me aos poucos no teu sotaque enevoado ao momento que sei que me dirás que não há de ser."
Um dos mais profundos, porém bem sutil, leve, calmo..' Gosti, mãe'
(:

Laura Sodré disse...

Lindo texto, parabens!

http://inlegau.blogspot.com/

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